As novas tarifas impostas ou em discussão pelo governo de Donald Trump sobre o setor automotivo podem representar desafios para o Brasil. 

Atualmente, Estados Unidos e México são os dois principais destinos das exportações brasileiras de autopeças, respondendo juntos por US$ 2,29 bilhões em 2024 – o equivalente a 29,2% da receita total do setor.

Uma das medidas já em vigor é a tarifa de 25% sobre veículos importados pelos EUA, o que impacta indiretamente o Brasil, uma vez que muitas autopeças brasileiras são enviadas para montadoras mexicanas que abastecem o mercado americano. 

Em 2024, o México importou US$ 923 milhões em componentes automotivos do Brasil, o que corresponde a 11,8% da receita do Brasil com exportações de autopeças.

A situação pode piorar se os EUA ampliarem as restrições às autopeças importadas, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no mercado americano.

Preocupações no setor

O Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (SINDIPEÇAS) demonstrou preocupação com as novas barreiras comerciais. A entidade alertou que, após a imposição de tarifas sobre veículos, algumas autopeças também poderão ser taxadas em breve, e o governo americano poderá ampliar a lista de produtos afetados.

Além do setor de autopeças, as montadoras sediadas no Brasil também poderão sentir os efeitos das tarifas. Embora o país não exporte veículos diretamente para os Estados Unidos, a política comercial americana pode influenciar as decisões de investimento dos fabricantes.

Indústria automotiva global e impacto no aço brasileiro

O México tem papel de destaque na indústria automotiva global, sendo o quinto maior produtor de veículos do mundo em 2024. O Brasil, por sua vez, ocupava a oitava posição.

As preocupações do setor não se limitam às autopeças. Há também o receio de que os EUA aumentem as tarifas sobre o aço brasileiro, o que pode impactar toda a cadeia produtiva da indústria automotiva.

Alguns analistas acreditam que há espaço para negociação. Uma fonte da indústria, que preferiu permanecer anônima, disse que as montadoras poderiam buscar um acordo com o governo Trump, comprometendo-se a expandir a produção nos EUA em troca do adiamento ou redução das tarifas.

No início de março, Trump decidiu adiar a implementação das tarifas automotivas por um mês após uma conversa com os CEOs da General Motors, Ford e Stellantis. Isso sugere que ainda há espaço para a indústria automobilística influenciar as decisões da Casa Branca.