A crescente indústria de biocombustíveis do Brasil está elevando os preços domésticos do milho aos níveis mais altos desde 2022, gerando preocupações sobre futuras exportações do segundo maior fornecedor de milho do mundo. 

As usinas de etanol do país devem processar um volume recorde de milho nesta safra e, com novas instalações previstas para entrar em operação, a demanda tende a aumentar ainda mais.

Preços do Milho Disparam em Meio ao Aumento da Demanda Interna

A crescente dependência do milho para a produção de biocombustíveis, aliada à forte demanda por ração animal, está mantendo o mercado local aquecido e levantando temores de uma redução nos volumes de exportação. 

As condições climáticas adversas, especialmente os atrasos no plantio, podem agravar ainda mais a oferta de milho no Brasil.

O índice CEPEA da Universidade de São Paulo revelou que os preços do milho na semana passada estavam 11% acima da média dos últimos cinco anos para este período.

Produtores Atrasam Vendas, Apostando em Preços Mais Altos

Os agricultores no principal estado produtor de milho do Brasil, Mato Grosso, têm sido relutantes em vender suas colheitas antecipadamente, esperando preços ainda mais altos. 

No final de fevereiro, apenas 39% da próxima safra de inverno havia sido comercializada, bem abaixo da média de 48% dos últimos cinco anos, segundo a AgRural.

A consultoria Agroconsult prevê que os preços elevados persistirão mesmo após a colheita da safra de inverno ainda este ano, com os preços do mercado local estimados para permanecer pelo menos 10 reais brasileiros (US$ 1,75) por saca de 60 quilos acima dos níveis do ano passado.

Incertezas Climáticas Representam Riscos para a Oferta

A maior parte do milho no Brasil é cultivada como segunda safra em terras usadas para o plantio de soja. No entanto, o atraso no plantio da soja resultou em uma safra tardia de milho, aumentando o risco de maturação da colheita durante um período mais seco.

Se condições climáticas adversas reduzirem a produtividade, o excedente exportável do Brasil diminuirá ainda mais, adicionando pressão aos mercados globais de grãos.

Impacto no Comércio Global e Tarifas da China Sobre o Milho dos EUA

As mudanças na dinâmica do milho brasileiro ocorrem em um contexto de tensões geopolíticas. A China impôs uma tarifa de 15% sobre as importações de milho dos Estados Unidos como parte de uma disputa comercial mais ampla com Washington. 

Isso colocou ainda mais foco no Brasil como fornecedor-chave nos mercados globais de grãos.

Produção de Etanol Dispara, Superando Estimativas do Mercado

A Agroconsult estima que o consumo doméstico de milho no Brasil crescerá 9% este ano, atingindo 96 milhões de toneladas. Somente o uso de milho para etanol deve ultrapassar 22 milhões de toneladas, superando as previsões anteriores do mercado.

À medida que o Brasil continua priorizando seu setor de biocombustíveis em expansão, o equilíbrio entre a demanda interna e os compromissos de exportação continuará sendo uma preocupação central para os mercados agrícolas globais.