O Banco Central do Brasil indicou que as taxas de juros podem precisar permanecer elevadas por um período prolongado devido a preocupações persistentes com as expectativas de inflação.
Durante uma coletiva de imprensa, o diretor de política econômica do banco, Diogo Guillen, enfatizou que, quando as previsões de inflação se desancoram, como é o caso atualmente, a política monetária precisa permanecer rígida por mais tempo para garantir a estabilidade. Ele, junto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, reforçou que as decisões futuras serão baseadas em dados econômicos.
As projeções mais recentes sugerem que a inflação ao consumidor só atingirá a meta oficial de 3% no terceiro trimestre de 2027. No entanto, analistas do setor privado consultados no relatório semanal de mercado do banco têm uma visão mais pessimista, esperando que a inflação permaneça acima da meta até 2028.
Na semana passada, o Banco Central elevou as taxas de juros em 100 pontos-base, para 14,25%, sinalizando que um novo aumento — embora menor — poderá ocorrer em maio. Os formuladores de políticas justificaram essa medida citando pressões inflacionárias contínuas, maior incerteza econômica e os efeitos retardados dos aumentos anteriores nas taxas de juros.
Galipolo destacou que o banco evitou deliberadamente fornecer orientações específicas sobre o próximo aumento da taxa para manter a flexibilidade na abordagem da política monetária. Ele ressaltou que, com a inflação ainda acima da meta e vários riscos econômicos persistentes, o ciclo de aperto monetário ainda não foi concluído.
Apesar do aperto monetário, a economia brasileira viu uma valorização de quase 8% do real em relação ao dólar americano este ano, recuperando-se de uma queda de 20% em 2024. Galipolo atribuiu isso ao aumento dos investimentos estrangeiros, especialmente em operações de carry trade, que favorecem as altas taxas de juros do Brasil.
Além disso, ele sugeriu que o Brasil pode ser menos vulnerável a choques tarifários externos em comparação com outros mercados emergentes. No entanto, o Banco Central não tem planos imediatos de mudar sua política cambial e continuará renovando os contratos de swap cambial como de costume.